segunda-feira, 27 de abril de 2009

Bêbada sim, carregada nunca!


Um dia desses, numa mesa de bar, depois de um dia cheio de nada pra fazer, os amigos resolveram tomar uma. Foram pra lá, Neco Migo, Toninho Mão Boba, João Linguarudo, Deco Pé Inchado e as duas Chica e Tina.

Tina resolveu chamar um cara que ela estava de olho, mas pra que ligar tão cedo? A rodada nem começou, não é?

- Ô amigo, uma caipirosca! – Tina já se preparava pra noite com um álcool pra relaxar (sem moderação). Depois dessa frase a dose já tinha acabado.

- Garçom, mais outra! – Estava tudo lindo, muita risada e fofoca. Melhor seria ligar agora... Mas antes...

- Moço traxxxxx outra dessa aqui que tá maaaasssa! – Foi aí que todo mundo se olhou.

- Porra, tá com raiva é Tina? – Sacaneou Pé Inchado.

- Não é da sua conta! – e continuou com o garçom – Moççç, eu quero ôta. – Nessa hora Tina ligou pra vítima. Mas mandou o coitado para o outro lado da cidade.

Depois de virar a terceira rosca, ela já estava com o rosto vermelho, rindo de qualquer frase sem graça, e brigando com quem falasse da bebida. Chica chamou a empolgada para ir ao banheiro. Para chegar até lá: no meio do caminho havia uma escada, havia uma escada no meio do caminho... Segurando nas duas paredes, Tina desceu, respirou fundo lá dentro.. Poxa o chão já não estava tão reto...

Voltou pra mesa, sentou com aquele riso mais amarelo, olhou pra todo mundo, aquele povo tão distante, tudo meio torto, olhou de novo pra Chica e sussurrou pra ela:

- Vamo pro banheiro de novo agora, uuurrrrgente! – O caminho da ida foi feito em segundos.

- Ma rapaz, eu falei que você tava bebendo rápido demais... – Não sei nem se Tina ouviu o Chica falou, porque entrou correndo e começou a passar mal (pra não dizer coisa pior).

No andar de cima, o amigo que estava do outro lado da cidade já tinha ligado, João Linguarudo mandou o pobre vir pro bar certo. Lá embaixo, por mais que Chica insistisse, Tina não saía do lugar, o chão, a parede, o banheiro... Eram seus melhores amigos, sair dali nem pensar.

O carinha chegou ao bar, perguntou pela sua Tina, João não perdeu a chance:

- Ela tá lá embaixo, no banheiro, bêbada. – E soltou aquela risada. O coitado desceu, mas não conseguiu ver Tina e foi embora.

Deco, o mais corajoso pra tirar a embriagada de lá debaixo, invadiu o banheiro e tirou Tina lá de dentro. Subiu as escadas com ela pendurada do seu lado, e lá no topo, Tina pensou, “perdi o bofe, mas não perdi a dignidade”, e sugeriu pra Deco:

- Deixa eu segurar na sua cintura pra não parecer que você tá me carregando?

sexta-feira, 24 de abril de 2009

O dia que até pirata preferiu andar na prancha...


De todas as histórias que já ouvi, dessa tenho certeza que não esqueço. Um amigo que conheci em terras longe da Bahia, mas que é chamado de “o terror de Aratu” estava meio carente e solitário, distante do seu habitat natural. Num final de ano desses, tempos em que o coração fica mais meloso e a cama fica mais gelada (apesar de ser nosso verão), Cacá, o chuparino, finalmente parecia que ia se dar bem no bar com os amigos e as gatinhas, cenário: sábado ensolarado, cerveja gelada... Tudo conspirando a favor...

Dizinha, amiga do chuparino em questão, já havia arranjado tudo, levou Liliu que também estava a perigo pra ver se a coisa andava. Fez com que os dois sentassem juntos na mesa, e deixou o caminho aberto para Cacá. Era só ele fazer a sua parte.

E porque não contar suas aventuras na Bahia, seus tempos de chuparino, pegador e cachaceiro da Ilha? Ah... com certeza Liliu ia se surpreender com tanta desenvoltura do nosso rapazinho. Então melhor contar de vez: (com sotaque de baiano e as porra)

- Rapá, bom mermo era quando a gente ia p Ilha. Tinha pra ninguém não, papá. Era eu aqui (dizia batendo no peito) que derrubava todo mundo cumeno água. Num fim de semana que a galera foi p Ilha, passamo a noite toda na cachaça, no outro dia já acordamo tudo arisco, foi todo mundo direto pra praia com Montilla e coca. Sentamo na mesa e foi desde cedo dominó e cuba, cuba e dominó, até tinha umas piriguete freca como a porra acompanhando a gente lá.

Liliu achando um pouco demais, mas ouvindo tudo com interesse, estava até dando mole pra Cacá. O pessoal da mesa imaginou o que vinha pela frente e tentou mudar o assunto, masque nada... ele se encheu de empolgação e continuou:

- Pois é, tava lá meu amigão Deco Lorota, Pedrinho maluco e cada gota da cuba era disputada, uma hora que o dominó empolgou lá acabei derrubando o copo de cuba na mesa... Ia desperdiçar, papá? Lógico que não, virei a mesa de quina e encaxei na boca pra não perder nada e virei...

Cada palavra que Cacá dizia Liliu ia mudando de expressão, de espanto passava por horror chegando até o nojo... Mas o auge da Ilha ainda estava chegando

- Imagine aquele sol forte bateno na cabeça da gente, eu começano a suar, olhei pro limão dentro do copo, oxe... pra que melhor? Meti a mão, e dei aquela passada do limão no braço, e pronto! Botei o limão de volta no copo, ele dobrou de tamanho quando voltou pra cuba! (Nessa hora até o pirata do rótulo da Montilla preferia ter tapa-olho dos dois lados)

Como se não bastasse a história épica, Cacá finalizou a narrativa passando o alface do tira-gosto que estava na mesa no óleo do prato fez o bolinho na mão e mandou pra dentro. Liliu já não sabia mais o que fazer... Aproveitou que Dizinha foi no banheiro, e quando voltou sentou do outro lado da mesa.

Cacá, chuparino, não entendeu nada. Depois de apostar todas as suas fichas, contar sua maior aventura, viu sua conquista dar uma de gostosa difícil. E foi reclamar indignado com a Tonhão:

- Porra velho, tava tudo ino tão certo, não sei porque desandou! (Uma hora dessas o pirata já tinha se jogado da prancha...)

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Segura a arrastão


Não adianta reclamar, o artigo no título é feminino mesmo, e a arrastão em questão é uma meia, mas a questão mesmo é o que uma meia dessa pode fazer com um caboclo, ainda mais num forró.

Certa vez, num São Pedro no interior da Bahia, Valdo, caboclo que se achava esperto, namorador foi no forró com os companheiros, o arrasta pé estava bom, pé-de-serra, um quentão, amendoim... Tudo pra deixar o cabra doidinho.

E a caça começa, é um tal de circular pelo meio do povo pra vê as meninas, aquele perfume de flor pelo salão... Eita, Valdo não se agüentou! Catou uma morena pra dançar. Aquele cheirinho no cangote, rosto colado... Valdo ia se aprochegando na menina, e galanteava, ela ria, parecia que estava querendo também...

Até que no meio do rala fivela, os dois não se agüentando mais resolveram sair do meio do salão e foram atrás do palco perto de um curralzinho. Valdo naquela empolgação, no “vuco-vuco” confessou pra sua morena:

- O que mais me endoidou morena foi essa sua meia infocada. – E foi um tal de testar essa meia com a mão, que a moça se soltou e começou a bulinar Valdo também, o caboclo que não era besta nem nada foi deixando, achou que a menina só queria se fazer de tímida, mas era danada da gota serena... Valdinho aproveitou.

Depois de quase perder o juízo, Valdo resolveu que era hora de voltar pro salão, ainda tinha que encontrar os amigos e voltarem pra casa, numa cidade vizinha. Despediu da morena, ainda ficou com o perfume dela lhe provocando.

No salão contou pros amigos a história toda, era seu troféu do dia, na hora de pegar outro quentão pra continuar a festa, Valdo ficou nervoso:

- Cadê minha carteira? – A gargalhada foi geral, logo o Valdinho se deixou enganar pela morena, e sua meia arrastão... Ele rodou atrás da mulher, mas quem disse que ela ainda estava por ali? Valdo ainda deu sorte de achar um amigo de carro pra voltar pra casa, porque seu dinheiro aquela noite foi pra pagar o serviço da morena. E o pior foi aguentar a resenha do amigo na volta.

- Ê Valdo, essa tal de arrastão te arrastou mesmo hein... Nem teu dinheiro ela perdoou... – E deu risada até deixa o pobre em casa.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O paraíso é logo aqui



Antes de falar de qualquer outro lugar tenho que abrir um parêntese para a metrópole, o paraíso perdido, Brumado. Sem ele minha história não seria a mesma, e as melhores coincidências também não.

Uma vez ouvi alguém dizer que quem bebeu água debaixo daquela ponte não se separa mais da cidade, hoje em dia... humpf... não se pode dizer isso, com aquela água... Hoje quem bebe, morre e da terra não sai mesmo de jeito nenhum...

Enfim, deixando o meio ambiente um pouco de lado, falemos da cidade em si. Brumado é típica cidade do interior baiano, onde todos se conhecem desde criança, se cumprimentam e fofocam depois que você passa, é até engraçado, se não se incomodar com o disse-me-disse.
Um amigo que não vai lá há anos, sempre me pergunta como anda Brumado. Digo que está do jeitinho que ele deixou, os barzinhos da praça da prefeitura continuam os mais movimentados, todo mundo se encontra por lá, e que ainda é ótimo jogar conversa fora.

Existe coisa melhor do que encontrar todo mundo que você quer ver no mesmo lugar? Assim é Brumado. "E Nininha?" _ "Ah, não soube? Engravidou do noivo e casou" "E Fiin, ainda está estudando fora?" _ "Que menina... deu calote no pai, voltou e abriu um boteco" _ "Fique aí achando... Aqui tá muito mudado, você fica fora e não sabe de nada..."
É assim mesmo, ali na calçada do bar, o pessoal te conta tudo de todos, mesmo que você não pergunte... E assim a noite vai passando, com música ao vivo, os artistas dali mesmo (ótimos por sinal)... É quando se dá conta que já é madrugada, você pensa que é hora de ir embora? Que nada, se rodar pelas ruas mais afastadas descobre que o movimento sempre continua em outros bares mais afastados, e quase sempre com o mesmo pessoal que você encontrou mais cedo na praça. Nessas horas que acontecem o que menos se espera...

Vá em Brumado e veja se não é verdade. Se duvidar depois me conte, vou está lá em algum barzinho da Praça Coronel Zeca Leite, e te conto tudo também... Não soube de Dondinha, filha de Dona Maria?... Mas menino...

terça-feira, 14 de abril de 2009


Dizem que todo nortista quando deixa sua terra leva um pouco dela dentro si... Mentira minha gente, leva muito, e em tudo que ele faz ou diz tem ali sua marca registrada, dizendo de onde ele veio e mostrando a saudade que ele leva...


E com baiano não é diferente, somos bairristas, somos apaixonados por essa terra e por sua gente. Como vocês sabem ainda temos um imã, que... ô bichinho para atrair mais baianos pra junto da gente...


Foi assim que tudo começou por aqui, dessa terra de onde falo agora, de Brasa City. Não é que por aqui achei um tanto de gente boa, um povo engraçado, tirado a piadista, cantor e tudo que de bom se pensar.


Onde todos se acharam? Na farra, no meio de um samba, numa roda... Podia ser diferente? Não podia. Podia ser sério? Menos ainda...


E fomos nos juntando, com risos, músicas e muita, muita história no meio disso tudo, no meio não, que não vou dar mole pra esse povo, basta dizer q tem muita história e pronto.


Quando tudo começar a ser dito vocês entenderão o porque do cuidado com as palavras...


Um abraço a todos!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Fique na sua que ninguém te bole...


Vem aí histórias que vc prefereria não ter participado...
Alguns causos serão para matar a saudade da terra boa..